O ouro azul: pagamos pelo que a natureza nos deu sem cobrar nada

Já falamos por aqui sobre os 5 primeiros ODS da ONU. Hoje iremos falar sobre o sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável: a água limpa e saneamento para a população mundial. Vamos conferir?


ODS 6 / Fonte da imagem: https://sc.movimentoods.org.br/

O que significa esse ODS?


Esse objetivo visa assegurar o fornecimento de água e saneamento para todos através de medidas como o acesso universal e equitativo à água potável, a redução da poluição para melhorar a qualidade da água e redução da porcentagem de águas residuais sem tratamento.


Qual a sua importância?


Como já vimos, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão interligados e se interferem mutuamente. A água é imprescindível para um desenvolvimento sustentável pois está associada a cuidados com o meio ambiente, crescimento econômico, alimentação e nutrição, erradicação da pobreza e garantia de uma vida digna a todos.

No Relatório Síntese de 2018 sobre o ODS 6, a ONU afirmou que "o desenvolvimento social e a prosperidade econômica dependem da gestão sustentável dos recursos de água doce e dos ecossistemas" e que "os recursos hídricos estão associados a todos as formas de desenvolvimento, sendo necessários para a manutenção do crescimento econômico na agricultura, na indústria e na geração de energia, assim como para a manutenção de ecossistemas saudáveis.".


Acesso à água no mundo


De acordo com dados da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), atualmente a escassez de água potável afeta mais da metade da população mundial. O consumo de água equivale a 73% voltado para irrigação, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico. Infelizmente, essa estatística tende a aumentar por conta das mudanças climáticas e uso inadequado de recursos hídricos.

Segundo dados da OMS, cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável tratada e 4,2 bilhões não têm serviços sanitários gerenciados de forma segura. Ou seja, estamos falando de milhões de pessoas que ainda hoje não dispõe de serviços básicos e precisam beber água de superfícies não tratadas para sobreviver.

A urbanização influencia diretamente nesses dados. Em áreas rurais, 8 de cada 10 pessoas não tinham serviços básicos em 2017. Isso corresponde a oito vezes mais do que a média geral.

Saneamento no mundo


Houve uma expressiva diminuição nas pessoas que realizam suas necessidades ao ar livre, totalizando cerca de 9% da população mundial em 2017. Entretanto, esse dado ainda corresponde a 673 milhões de pessoas.

Ademais, é importante ressaltar que apesar de no contexto mundial ter ocorrido essa diminuição, na África Subsaariana essa proporção aumentou devido ao grande crescimento demográfico da região.


ODS 6 e doenças


A falta de água potável, saneamento e medidas de higiene adequadas causa diarreia a qual é responsável por um alto número na taxa de mortalidade infantil. Anualmente, quase 297.000 crianças menores de cinco anos morrem devido a esse problema. A transmissão de doenças como febre tifoide, disenteria, cólera e hepatite A também está relacionado a falta de saneamento e contaminação da água.


Controle de recursos hídricos e desigualdades sociais


O controle de recursos hídricos é uma questão de poder e, dessa forma, a desigualdade social entre países agrava diretamente o acesso à água. Nos países africanos a média de consumo de água por pessoa é de dez a quinze litros por dia. Já na cidade de Nova York, conhecida por ser um polo social, cultural e econômico, cada pessoa chega a consumir diariamente absurdos dois mil litros de água.


ODS 6 no Brasil


No Brasil, em 2019 a Comissão Nacional para os ODS aprovou uma proposta para alcance das metas do sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável envolvendo a ação coletiva de 75 órgãos governamentais e mais de 600 gestores e técnicos do governo federal, que participaram de debates e enviaram sugestões a serem incorporadas às metas nacionais.

De acordo com o monitoramento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil tem apresentado um lento progresso em relação às metas deste objetivo para a Agenda 2030. Porém, as dimensões continentais do país e grandes diferenças inter-regionais se mostram um enorme obstáculo na garantia de disponibilidade de água e saneamento a todos.

O Relatório Luz 2020 mostra dados conflitantes, avaliando que o fornecimento deste direito não tem sido prioridade do Estado brasileiro em seus diferentes níveis de governo. Acrescenta que, apesar da existência da lei nacional de diretrizes para o saneamento (Lei 11.445/2007), o país ainda não possui uma política e um sistema nacional de saneamento. Ao que tudo indica, mais uma vez o Brasil não será capaz de cumprir com as metas da Agenda 2030, com as quais se comprometeu internacionalmente e nem atingirá as metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) previstas para 2033.

Em uma projeção realizada no Relatório Luz, está previsto que as metas de acesso universal e equitativo de água e saneamento sejam alcançadas somente em 2063. Os dados mostram uma terrível negligência do Estado em garantir um direito fundamental que afetará a população brasileira em diferentes níveis.

Os avanços observados ocorrem em um ritmo que deixa muito a desejar. Entre 2010 e 2018, o aumento no atendimento de água foi de apenas 2,5%. Em 2018, mais de 86 milhões de brasileiros não tinham acesso adequado à água no Brasil, com uma proporção que se agrava nas populações rurais em que só 40,5% têm atendimento adequado a abastecimento de água, 33,5% com atendimento precário e 26% (5,6 milhões) não têm nenhum atendimento de água. Na região Norte observamos o maior déficit, onde apenas 57,05% da população tem acesso a água tratada.

Concernente às “doenças de veiculação hídrica”, o Ministério da Saúde apontou que em 2018 houve mais de 233 mil internações por diarreia, verminoses, hepatites, esquistossomose, leptospirose e dengue, todas conectadas ao ODS 6.

Além disso, as crianças e adolescentes brasileiros tem sido extremamente prejudicados pela falta deste direito fundamental. A Unicef indicou que 24,8% das crianças e dos adolescentes não têm acesso ao saneamento, 14,3% não têm o direito à água garantido e 6,8% não contam com sistema de água dentro de suas casas. Como consequência disso, sofrem com diversas doenças e uma enorme ameaça ao seu desenvolvimento cerebral.


ODS 6 e gênero


Conforme uma análise do Instituto Trata Brasil, o direito à água potável e saneamento básico é extremamente desigual por gênero. Em 2016, 1 em cada 4 mulheres brasileiras não tinha acesso a infraestrutura sanitária. A gravidade desse dado é ainda maior se considerarmos que a supressão de um direito como esse afeta diretamente a saúde, bem-estar e produtividade feminina em atividade econômicas, contribuindo para aumentar a disparidade de outras questões de gênero.


Principais metas do ODS 6:

  • Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do saneamento

  • Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio ao desenvolvimento de capacidades para os países em desenvolvimento em atividades e programas relacionados a água e ao saneamento, incluindo a coleta de água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de efluentes, a reciclagem e as tecnologias de reuso

  • Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos

  • Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água

  • Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas residuais não tratadas, e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente

  • Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos

  • Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo à água potável, segura e acessível para todos

A perspectiva para o cumprimento das metas do ODS 6 até 2030 não são positivas. É preciso não só uma maior cooperação internacional como ações concretas do Brasil para acelerar esses avanços tão cruciais para o desenvolvimento da população como um todo.

Dados coletados da BBC, Fórum Econômico Mundial, Global Citizen, Relatório Luz 2020, Agência Nacional de Águas (ANA), Unicef, Relatório Síntese de 2018, Ministério da Saúde.


Texto criado e desenvolvido exclusivamente pela Letícia Chieppe (@lele_chieppe) para a Souy Eco-Friendly.


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