O dia em que a Terra sangrou

O chamado Dia da Sobrecarga , um cálculo realizado pela organização Global Footprint Network e realizado desde 1986, chegou dois meses antes de 20 anos atrás e a cada ano se antecipa no calendário. Em 1993, ocorreu em 21 de outubro; em 2003, em 22 de setembro; e em 2017, 2 de agosto; e em 2020, ocorreu agora no último sábado, dia 22 de agosto.


2020: O ano em que a data da sobrecarga da terra foi adiada


A Global Footprint Network mostra de forma clara, dados sobre a biocapacidade, os impactos que as grandes indústrias causam e também nosso impacto individual. Segundo a organização, atualmente vivemos com uma produção que precisaria de 1,6 Terras para aguentar os impactos sem sofrer alterações.


Isso tudo se deve ao estilo de vida efêmero em que vivemos atualmente. Esse estilo de vida vem se moldando a cada ano, por uma cultura do ter sem limites. Nada é suficiente, viramos escravos dos nossos desejos e do estilo de vida que alimentamos.


Em 2020, por exemplo, a data foi adiada em três semanas em comparação a 2019, por conta dos impactos do COVID-19 sobre nosso cotidiano e consumo. “A pandemia de Covid-19 fez com que a pegada ecológica da humanidade se contraísse, demonstrando que é possível mudar os padrões de consumo de recursos num curto período”, conforme mencionado no press release da New Economics Foundation. Mas em meio século, vimos extrapolando constantemente o nosso único planeta. A humanidade agora consome cerca de 60% a mais do que a Terra pode produzir em um ano, o que significa que precisaríamos de mais de meio planeta extra para nos sustentar.


As projeções revelam uma redução de quase 15% das emissões de CO2 (cerca de 60% da pegada total), como resultado da desaceleração, ditada pela pandemia, do uso de combustíveis fósseis nos setores de transporte, energia, indústria, aviação e residencial.

O cálculo global da Sobrecarga da Terra, que usa dados de organizações como a Agência Internacional de Energia, também inclui a produção florestal, que caiu quase 9%, e nossa pegada alimentar, que ficou estável.


Para entender melhor


A data marca quando os recursos naturais da Terra se esgotam para conseguir regenerar a quantidade de resíduos que produzimos durante o ano, principalmente o dióxido de carbono. Com cálculos e análises de diversos dados, a Global Footprint Network é a responsável por determinar qual o Dia da Sobrecarga da Terra em cada ano.


Para definir a data, a organização divide a quantidade de recursos ecológicos que a Terra pode gerar naquele ano, pela demanda da humanidade para aquele mesmo ano e multiplica pelos 365 dias totais, chegando assim ao dia da sobrecarga.


“O Dia da Sobrecarga da Terra significa que a Humanidade utiliza atualmente os recursos ecológicos 1,75 vez mais rápido” que a capacidade de regeneração dos ecossistemas, destaca a ONG em um comunicado. “Gastamos o capital natural do nosso planeta, reduzindo ao mesmo tempo sua capacidade futura de regeneração”, adverte também a organização.


O custo desta sobrecarga econômica mundial está se tornando cada vez mais evidente com o desmatamento , a erosão dos solos , a perda da biodiversidade, a cultura do consumo desenfreado, o lixo que esse consumo em excesso causa, o desperdício de recursos naturais e o aumento do dióxido de carbono na atmosfera. Isto leva às mudanças climáticas e a fenômenos climáticos extremos mais frequentes.


Os modos de consumo apresentam enormes diferenças entre os países. “O Catar alcançou seu dia de sobrecarga depois de 42 dias, enquanto a Indonésia consumiu todos os recursos para o ano inteiro depois de 342”, destaca WWF , associada à Global Footprint Network. “Se todo mundo vivesse como os franceses, precisariam de 2,7 planetas”, e se todo mundo adotasse o modo de consumo dos americanos, seriam necessárias cinco Terras.


Segundo a WWF, “diminuindo as emissões de CO2 em 50%, poderíamos ganhar 93 dias ao ano, isto é, atrasar no dia da sobrecarga da Terra até outubro”.



Um exemplo...


Segundo o World Resources Institute , o Brasil é o país que mais consome carne vermelha no mundo. No entanto, a pecuária – envolvendo todos os rebanhos e não apenas o de bovinos – é uma das atividades que mais emite gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelo agravamento das mudanças climáticas. Isso ocorre principalmente por conta da abertura de novas áreas para pastagens, que requer mudanças no uso da terra, que ocorrem por meio do desmatamento, muitas vezes ilegal.


No Brasil, a pecuária bovina é responsável por 80% do desmatamento da Floresta Amazônica (Yale University). Além desse fato, quando comparada a outras fontes de proteínas, a produção de carne bovina requer 20 vezes mais terra por grama de proteína comestível do que o requerido pelas proteínas vegetais, como o feijão, segundo o World Resources Institute.


Nesse contexto, a criação global de gado bovino é responsável por mais de 60% das emissões totais da pecuária, que inclui também as criações de suínos e de aves que, segundo a FAO, são responsáveis por 9% e 8% das emissões da pecuária, respectivamente. Os demais rebanhos são responsáveis pelo restante das emissões da pecuária, havendo uma grande diferença entre eles.


Enquanto a produção de 1kg de carne bovina emite 27 kgCO2e (quilogramas de gás carbônico equivalente), a de outras fontes de proteína, como a carne de porco, o frango e o atum (peixe), emitem, respectivamente, 12,0, 6,9 e 6,1 kgCO2e. E, considerando proteínas vegetais, para a produção de 1kg de feijão são emitidos 2 kgCO2e. A diferença no caso da carne bovina é enorme!


Embora a cadeia produtiva da carne bovina contribua para um uso excessivo da capacidade do planeta de regeneração de recursos naturais, isso não quer dizer que é preciso parar de consumi-la, mas que se deve consumir com consciência, evitando exageros.


Nesse contexto, vale repensar o seu consumo, especialmente de carne bovina, antes de fazer o seu prato de comida. Lembre-se de que mudar o seu impacto sobre o meio ambiente não é uma coisa de outro mundo. Os consumidores podem exercer um papel fundamental na redução dos impactos negativos da produção de carne bovina por meio da redução de seu consumo em seu cotidiano. Isso não significa ter que parar de comer carne, mas consumi-la de forma consciente, mais moderada, substituindo-a por outras fontes de proteínas.


Só depende de nós


A boa notícia é que todos nós podemos, em nossas atitudes cotidianas, contribuir para que essa data deixe de ocorrer cada ano mais cedo. Como exemplo, uma mudança simples na escolha dos alimentos que compõem suas refeições pode fazer uma grande diferença em termos de impacto.


Lembre-se, todo o excesso é ruim, busque o seu equilíbrio e a sua forma de viver. Tome decisões pensando no coletivo e viva de forma consciente, seja em casa ou no trabalho. Pequenas ações geram mudanças de hábitos.


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O consumo consciente faz bem para o nosso corpo e para nossa alma.


Até logo!



Fonte: WWF, Sustentável Blog, Terra, Museu do Amanhã, Akatu




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