Erradicação da Pobreza: utopia ou realidade?

Semana passada introduzimos um tema muito importante por aqui: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Hoje iremos falar especificamente do primeiro objetivo, a erradicação da pobreza.


ODS 1 / Fonte da imagem: https://sc.movimentoods.org.br/

Mas, no que consiste a erradicação da pobreza?

A principal meta da Agenda 2030 é acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Como essa meta é ampla, ela subdivide-se em outras mais palpáveis e passíveis de avaliação como erradicar a pobreza extrema, a qual atualmente é medida como as pessoas que vivem com menos de 1,90 dólares por dia.

Até 2030 também planeja-se reduzir pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças, de todas as idades, que vivem na pobreza, garantindo que essa população mais vulnerável tenha acesso a serviços básicos, propriedade, recursos econômicos e naturais.

Cabe, portanto, a cada Estado implementar medidas e sistemas próprios de proteção visando o fim da condição da pobreza e a redução da exposição dessas pessoas a eventos trágicos como desastres ambientais, sociais e econômicos.


Vista aérea de uma favela na África do Sul.

Índices de pobreza no mundo

Atualmente ao redor do globo, mais de 800 milhões de pessoas carecem de recursos básicos que as garantam uma condição mínima de vida com dignidade. Estamos falando de pessoas que não possuem saneamento básico, alimentos e sequer água potável.

É verdade que nas últimas décadas esses números diminuíram. Segundo o Banco Mundial, a Índia tirou mais de 250 milhões de pessoas da pobreza entre 1990 e 2015. Neste mesmo cenário, a China também fez grandes progressos. Entretanto, muitos fatores contribuem para crermos que essa melhora não é tão positiva quanto parece.

Conflitos e crises econômicas fazem com que alguns países não sejam capazes de implementar medidas contra a pobreza. O resultado disso é um progresso muito pontual, paralelo a regressos absurdos. São responsáveis por mais 85% das pessoas vivendo em condição de extrema pobreza no mundo a África Subsaariana e o Sul da Ásia, e esses dados não parecem que irão diminuir tão cedo.

O Índice de Desenvolvimento Humano publicado em 2019 ressalta a importância de países que têm alcançado reduções muito rápidas em relação a primeira meta dos ODS, tal como Índia, Camboja e Bangladesh, mas frisa que para a Agenda de 2030 ser efetivamente cumprida é necessário que o mundo avance como um todo.


Fragmento de favela em Buenos Aires, Argentina.

Índices de pobreza no Brasil

De 2016 a 2018, o IBGE registrou que a faixa de pessoas na pobreza no Brasil passou de 52,8 milhões para 55 milhões. Isso contempla pessoas que recebem, em média, 406 reais por mês para se manterem. Em relação a extrema pobreza, ou seja, pessoas que recebem em média 140 reais por mês, foi registrado em 2016 13,5 milhões de pessoas nessas condições, número que passou para 15,2 milhões em 2017.

O Norte e Nordeste concentram a maior proporção de pessoas vivendo na pobreza. A razão para essa disparidade regional é que o investimento industrial se concentrou por muitos anos no Sul do país, fazendo com que o crescimento econômico fosse muito desigual em um território de dimensões tão grandes como o Brasil.


Pobreza e gênero

Vale falar que a pobreza está atrelada a questões de gênero. As mulheres estão expressivamente mais sujeitas a viverem na pobreza por falta de educação e empregos remunerados, sobretudo nos países em que a mulher é vista como não pertencente a ambientes educacionais e ao próprio mercado de trabalho. Em consequência disso, cada vez mais a mulher é excluída da sociedade e se torna dependente de um homem para constituir minimamente uma renda familiar.


A pobreza diminuiu na pandemia?

Em junho de 2020 o jornal Nexo publicou uma matéria intitulada “Desigualdade, pobreza e a normalização do absurdo” (https://tinyurl.com/yyya5wpu) mostrando que as taxas de pobreza, desigualdade e até mesmo do desemprego haviam diminuído durante o período da pandemia.

Porém, esses dados estão diretamente relacionados à Renda Básica Emergencial. O valor médio desse benefício (que varia de 600 a 1200 reais) é superior à renda domiciliar usual dos mais pobres e superior até ao Bolsa Família. Todavia, tal valor será concedido por tempo limitado e não visa combater as desigualdades estruturalmente.

Dessa forma, a longo prazo as desigualdades irão voltar e possivelmente voltarão até mais fortes. A pandemia afetou profundamente a situação econômica do país e o futuro é incerto, principalmente para aqueles que estão na faixa da pobreza.


Avanços do ODS

Dentro da erradicação da pobreza, o Brasil já cumpriu com 5 submetas estabelecidas como:


- Reduzir pelo menos até a metade a proporção da população de homens, mulheres e crianças, de todas as idades, que vivem na pobreza, em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais.

- Erradicar a população vivendo abaixo da linha de pobreza internacional, por sexo, idade, condição perante o trabalho e localização geográfica (urbano/rural)

- Reduzir a exposição e vulnerabilidade da população pobre a eventos extremos relacionados com o clima e outros choques e desastres econômicos, sociais e ambientais.

- Adotar e implementar estratégias nacionais de redução de risco de desastres em linha com o Quadro de Sendai para a Redução de Risco de Desastres 2015-2030.

- Adotar estratégias locais em conjunto com estratégias nacionais


De fato, o primeiro objetivo se mostra ousado. Mas também é evidente que a erradicação da pobreza é um objetivo imprescindível para o desenvolvimento sustentável do mundo. A vida com um mínimo de bem-estar e dignidade humana é um direito de todos, e merece ser garantido o quanto antes.


Dados coletados do IBGE, Banco Mundial, Jornal Nexo, BBC News Brasil, Índice de Desenvolvimento Humano e ODS Brasil.


Texto criado e desenvolvido exclusivamente pela Letícia Chieppe (@lele_chieppe) para a Souy Eco-Friendly.


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