Como vamos acabar com a fome no mundo?

Na semana passada falamos bastante por aqui do primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Hoje é a vez de falarmos sobre a fome zero e agricultura sustentável.


ODS 2 / Fonte da imagem: https://sc.movimentoods.org.br/

O que significa esse objetivo?

Até 2030, os países devem acabar com a fome e má nutrição, alcançar a segurança alimentar, enquanto promovem a agricultura sustentável, a qual consiste na agricultura familiar, acesso equitativo à terra, à tecnologia e ao mercado . Apesar de nas últimas décadas o desenvolvimento da agricultura ter contribuído para reduzir a proporção de pessoas subnutridas no mundo, ainda hoje muitas pessoas vivem nessas condições, sobretudo bebês e crianças.

Garantir o acesso da população mais pobre e vulnerável a uma alimentação saudável, suficiente e nutritiva é também garantir que crianças cresçam com maior qualidade de vida e menos problemas de saúde.


Aldeia na Namíbia. Fotografia de Galyna Andrushko.

Qual a sua importância?

A desnutrição e a fome impedem o desenvolvimento completo e adequado da população, os sujeitando a mais doenças, menor expectativa de vida e até os inabilita a produtividade. Em consequência, essas pessoas não podem mudar seus meios de vida e nem garantir que as próximas gerações daquela família tenham um futuro melhor.

Ademais, a desnutrição crônica acarreta em atraso do crescimento, desenvolvimento cognitivo deficiente e aumenta o risco das crianças morrerem de infecções comuns, que seriam facilmente tratáveis em outras circunstâncias.


E qual o papel da agricultura nisso?

O setor agrícola é essencial para a erradicação da fome e da pobreza. Segundo a ONU, um terço dos alimentos produzidos no planeta é desperdiçado, totalizando cerca de 1,3 bilhões de toneladas de alimento jogadas no lixo anualmente. Se esses recursos fossem melhor distribuídos, o desperdício seria infinitamente menor e poderiam ser direcionados a alimentar a parcela da população que sofre com a fome.

Além disso, o setor agrícola é responsável pela geração de inúmeros empregos, pela renda de muitas famílias, desenvolvimento da população rural e, se realizado de forma sustentável e ética, tem a responsabilidade de proteger o meio ambiente.


Agricultura familiar.

Fome no mundo

Apesar da Ásia ser o continente com o maior número de pessoas sob insegurança alimentar, é na América Latina e no Caribe que o índice tem apresentado maior crescimento. No dia 13 de julho de 2020, a ONU publicou um relatório estimando que entre 83 e 132 milhões de pessoas podem sofrer de fome até o final de 2020, devido aos impactos econômicos da pandemia de Covid-19.

Antes da pandemia, 9% da população mundial, o que corresponde a quase 690 milhões de pessoas, estava subnutrida ou em situação de fome. É evidente que com a pandemia, as vulnerabilidades de uma população já muito vulnerável tem se agravado, e as previsões indicam que o cenário pode piorar muito se medidas não forem tomadas. Em 2050, com uma população de aproximadamente 2 bilhões a mais de pessoas a mais no planeta, haverão 25% menos terras cultiváveis levando a fome a condições ainda mais agudas.


Fome no Brasil. Como o país tem lidado com o cumprimento desse objetivo?

O Relatório Luz é um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, analisando periodicamente a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento sustentável (ODS) no Brasil.

Algumas conclusões do relatório são que a vulnerabilidade à fome está estritamente relacionada com a condição de extrema pobreza de que trata o primeiro ODS. No Brasil, tem ocorrido um fenômeno de perda de direitos sociais com um comportamento muito falho do Estado na proteção dos grupos vulneráveis. Vários programas de segurança alimentar, distribuição de alimentos e apoio à agricultura familiar tiveram cortes orçamentários acentuados ou foram completamente descontinuados.

Como resultado dessa (falta de) políticas públicas, a fome no Brasil segue sendo um assunto delicado. E o número de pessoas que podem vir a sofrer fome no Brasil aumenta pelo acelerado crescimento de refugiados que cruzam as fronteiras do país e que não tem tido seus direitos protegidos pelo Estado.

Um outro problema é que comer bem no Brasil custa caro e o orçamento das famílias brasileiras não é alto. O salário mínimo é de 1.025 reais, com o supermercado sendo uma das maiores despesas domésticas. Famílias com menor poder aquisitivo acabam tendo que optar por alimentos processados, altamente calóricos, pobre em nutrientes e até maléficos para a saúde, como os alimentos com alto teor de gorduras trans.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 5 anos cresceu em 3 milhões o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. O IBGE também registrou que a fome é prevalente nas áreas rurais e que quase metade da população faminta é da região Nordeste.


Fome em 2020

Não foi só a Covid-19 que prejudicou o andamento das metas que visam erradicar a fome. O desafio se tornou ainda maior por conta da crise das nuvens de gafanhoto, que assustaram a população mundial como um todo. Essa é uma das pragas agrícolas mais conhecidas e recorrentes, que em 2020 tomou proporções assustadoras infestando 23 países. Os insetos danificam explorações agrícolas e prejudicam o cultivo e, somados a crise do coronavírus, perturbou o mercado com uma grave desaceleração econômica.

Os mais afetados nesse momento são os pequenos produtores de alimentos, que obviamente têm produtividade e renda muito baixa comparada aos produtores em larga escala. A crise econômica também provocou o fechamento de pequenas empresas e mercados locais, que fazem uma mediação com esses pequenos produtores.


Fome e a população indígena

Os constantes ataques aos direitos dos povos indígenas brasileiros também se mostram um empecilho no avanço do cumprimento do ODS 2. O direito à terra é uma questão crucial na sobrevivência desses povos, que tiram da diretamente da terra os alimentos para consumo da comunidade. Além da questão da fome, as populações indígenas sofrem com diversos conflitos fundiários violentos, enfraquecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).


Regressos brasileiros

É extremamente importante ressaltar que o Brasil caminha cada vez mais distante do cumprimento do ODS 2. No Congresso Nacional atualmente ganha força o movimento pela “flexibilização das leis ambientais”, o qual tem potencial catastrófico.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desde o início da sua gestão, se mostrou inapto e criou regras que dificultaram a aplicação de multas, transferiu poderes do Ministério do Meio Ambiente para outras pastas e tentou tornar o entendimento sobre matérias que tratam a Lei da Mata Atlântica mais brando.

Em uma reunião ministerial em abril de 2020, ele afirmou “Precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de Covid-19, e ir passando a boiada, e mudando todo o regramento (ambiental), e simplificando normas”. A frase simboliza uma afronta ao meio ambiente e a agricultura sustentável que tanto se almeja alcançar objetivando a erradicação da fome.


Avanços do ODS

Em relação à fome zero e agricultura sustentável, o Brasil cumpriu com 7 submetas, dentre as quais foram:

1. Subsídios às exportações agrícolas;

2. Ajuda pública para o setor agrícola;

3. Combate à atrasos no crescimento nas crianças com menos de 5 anos de idade devido a subnutrição;

4. Combate à malnutrição nas crianças com menos de 5 anos de idade, por tipo de malnutrição (baixo peso e excesso de peso).


Como vimos, muitos são os desafios em relação a busca pela erradicação da fome. O cumprimento do ODS 2 envolve uma série de complexidades e o progresso do Brasil se mostra excessivamente moroso e marcado por retrocessos, tanto por questões políticas e econômicas.


Dados coletados do IBGE, BBC News, Relatório Luz 2018, Relatório Luz 2020, FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations).


Texto criado e desenvolvido exclusivamente pela Letícia Chieppe (@lele_chieppe) para a Souy Eco-Friendly.


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Semana que vem, saiba mais sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável relacionado à saúde e ao bem-estar.

com propósito: comércio justo, colaborativo e sustentável

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