Como lidar com animais de estimação em tempos de coronavírus?

Em entrevista, veterinária fala sobre o que a ciência aponta até o momento quanto ao risco de transmissão da doença por pets e quais os cuidados necessários para quem tem um animal de estimação em casa.


Na última terça-feira, dia 28/04, a DW (Deustche Welle) publicou uma entrevista com a médica veterinária Ceres Berger Faraco, onde foram levantadas várias questões sobre como se deve agir quando há um animal de estimação em casa, e se há ou não com o que se preocupar. Confira abaixo.

Na volta para a casa, as patas do animal devem ser higienizadas, diz especialista.

"Apesar da confirmação de alguns casos de animais de pacientes com covid-19 infectados com o novo coronavírus, ainda há poucas evidências sobre o risco de um animal de estimação espalhar o patógeno. Até agora, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão de humano para humano continua sendo o principal meio de contaminação. 

"Um laboratório global de análises veterinárias testou, desde fevereiro, 5 mil amostras para covid-19 em cães, gatos e cavalos. Todas deram negativo, embora os animais tivessem sintomas respiratórios", comenta a médica veterinária Ceres Berger Faraco, presidente da Associação Veterinária Latinoamericana de Zoopsiquiatria. 

Mesmo assim, a recomendação dos especialistas é evitar que os animais interajam com pessoas ou animais que não moram na mesma casa. Caso o animal seja levado para passear, é importante higienizar as patas ao voltar para a casa. Em entrevista à DW Brasil, Faraco responde a algumas dúvidas sobre o tema:


DW Brasil: Há alguma comprovação de que ter um animal doméstico representa um risco de contaminação pelo novo coronavírus? Em outras palavras: eles podem transmitir a doença para nós?

Ceres Berger Faraco: Não existe comprovação. Um laboratório global de análises veterinárias testou, desde fevereiro, 5 mil amostras para covid-19 em cães, gatos e cavalos. Todas deram negativo, embora os animais tivessem sintomas respiratórios. É importante ressaltar que a gente fala hoje da verdade atual. A verdade de hoje, talvez não será a de amanhã.

Sabemos que há animais que são mais sensíveis. Por exemplo, fala-se que furões e gatos podem ser positivos. Mas o ‘ser positivo' ou suspeito não significa que eles transmitam. Isso é um mito, as pessoas estão equivocadas. Significa que eles conviveram com pessoas que foram positivas para covid-19 e foram infectados por essas pessoas com sintomas leves dessa doença.

Isso aconteceu com dois gatos, um tigre em Nova York, um ou dois cães em Hong Kong. Mas nós temos mais de 3 milhões de pessoas contaminadas e cinco casos suspeitos de animais. É importante que a gente esclareça que, até o momento, as evidências científicas são claras de que os animais não transmitem covid-19 para as pessoas."

A médica veterinária ainda nos alerta, sobre os cuidados que devemos tomar quando se tem um animal de estimação em casa, e quando há a necessidade de sair com o mesmo, como por exemplo: sair para passear, ou demais atividades que possam trazer algum risco de contaminação: "Mesmo sem comprovação de que os animais possam transmitir o novo coronavírus, o Sars-Cov-2, quais são as recomendações para minimizar os riscos de contaminação ao sair para passear com o animal?

Essa atividade deve ser limitada, mas não excluída da vida do animal, porque é muito difícil para ele. Mas deve-se tomar cuidado para que o animal não entre em contato com outros cães, gatos ou pessoas. Na volta para a casa, as patas do animal devem ser higienizadas, mas não com álcool em gel, porque pode causar irritação, e sim com água e sabão, ou produtos específicos feitos por farmácias de manipulação e que não irritam a pele do animal."

Outro ponto importante que foi colocado, é sobre o abandono em massa de animais, que está ocorrendo na atual pandemia, por medo ou dúvidas em relação ao animal passar ou não passar a doença para os seres humanos, mas a especialista deixa claro com a seguinte colocação: "Desde o começo da pandemia, houve muita desinformação sobre a relação entre o novo coronavírus e animais domésticos, e algumas pessoas simplesmente abandonaram os animais – o que no Brasil é um crime. O medo é, de fato, a principal motivação?

Temos que ter muito cuidado porque as informações falsas circulam muito, e as informações qualificadas parecem ter menos impacto do que as falsas. Primeiro, eu recomendo que as pessoas não abandonem os animais. Eles fazem parte da família, são benéficos especialmente no período de confinamento, e são um suporte social e afetivo. O abandono é um absurdo, porque eles não são fonte de contaminação.

As pessoas devem buscar informações nas associações veterinárias oficiais do seu país, pois elas têm informações atuais. Abandonar os animais é um equívoco que depois vai trazer uma culpa muito grande para essas pessoas, e também pode acarretar outros problemas, como o aumento no número de animais abandonados, casos de maus-tratos e problemas de saúde pública com outras doenças."

Segundo nota, há tendência das pessoas adotarem um animalzinho de estimação em períodos de exclusão social, o que é muito benéfico para as pessoas, mas por outro lado, antes de tomar uma decisão como esta, devemos sempre fazer um planejamento em vários sentidos, para que um abandono não ocorra futuramente, por motivos como a falta de recursos para mantê-lo, ou até mesmo a reflexão se após a pandemia o animal terá condições de permanecer junto da família, levando em consideração a atenção que o mesmo exigirá diariamente, para manter sua saúde e atender suas necessidades básicas.

Para acessar a reportagem completa, basta clicar aqui.


Fonte: DW ( Deustche Welle)

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