A história da tribo Waujá e as dificuldades encontradas com a chegada do novo coronavírus

Mais de mil anos de história, costumes e crenças do povo indígena Waujá são representados por meio das cerâmicas moldadas e produzidas artesanalmente pelos membros da tribo. Em sua maioria, as peças retratam figuras zoomórficas, com desenhos geométricos.


Não se sabe exatamente o número de pessoas que fazem parte da tribo, mas estima-se viver em uma única aldeia circular, cerca de 270 pessoas.

“Essa cerâmica é muito importante para o nosso povo, porque é um símbolo da nossa etnia. Nós somos ceramistas. Nosso povo só faz cerâmica ou negócio”, afirma Kaji Waurá, de 46 anos.



Foto: Harold Schultz, década de 1950.

Foto: Harold Schultz, década de 1950.

Foto: Harold Schultz, década de 1950.


A tribo Waujá, localizada na terra indígena do Alto Xingu, no Mato Grosso, se sustenta sobretudo com a venda de peças em cerâmica, moldadas pelas mulheres da tribo e pintadas pelos homens. “Tem outras três etnias que aprenderam com a gente a fazer essa cerâmica”, diz Kaji.


Além da riqueza de sua cultura material, esse povo possui uma complexa e fascinante mito-cosmologia, na qual os vínculos entre os animais, as coisas, os humanos e os seres extra-humanos permeiam sua concepção de mundo e são cruciais nas práticas de xamanismo.


Falantes de uma língua maipure da família arawak, os Waujá constituem, ao lado dos Mehinako, Yawalapiti, Pareci e Enawene Nawe, o grupo dos mairupe centrais (Payne 2001 apud Franchetto 2001: 116).


A primeira notícia histórica sobre os Waujá foi registrada pelo etnólogo alemão Karl von den Steinen no diário de sua primeira expedição ao Brasil Central, no dia 24 de Agosto de 1884, quando passava pela quarta e última aldeia Bakairi do rio Batovi: "fizemos, ansiosos, nossas indagações a respeito de outras tríbus existentes. Ficamos sabendo claramente que os custenaús e os trumaís eram encontrados no baixo rio. Não conseguimos entender o que queriam dizer com "vaurá. Seria uma tríbu?" (Steinen 1942: 211).


O território Waujá abrange a parte sudoeste do Parque Indígena do Xingu e tem uma das maiores fronteiras contínuas com latifúndios de exploração madeireira e de pecuária extensiva do nordeste do Estado do Mato Grosso. No final da década de 1980, os Waujá sofreram ataques de fazendeiros armados da região do Alto Batovi, que queimaram as três únicas casas de uma pequena aldeia chamada Ulupuene, a qual tinha sido construída por razões estratégicas de defesa dessa área, que corresponde à região inferior entre os rios Batovi e Ulupuene, e que não tinha sido incluída na demarcação oficial do Parque na década de 1960 (Menezes 2001: 240). Em 1998, esse pequeno enclave fronteiriço ao Parque foi homologado à favor dos Waujá como Terra Indígena Batovi (Menezes 2001: 241). Mas, segundo o chefe (amunaw) Atamai, o alvo principal da luta territorial Waujá é um lugar sagrado onde fica um sítio arqueológico de pinturas rupestres chamado Kamukuwaká, a 40 km ao sul da foz do rio Ulupuene (Ireland 1991).


A resolução judicial de 1998 amenizou as tensões entre os Waujá e os rancheiros vizinhos, mas não o suficiente para as suprimir totalmente. Segundo alguns informantes, pescadores e caçadores continuam a solicitar aos índios a permissão de explorar recursos naturais no sudoeste do Parque, área de vigilância que se encontra sob a responsabilidade dos Waujá. A questão de terras nas fronteiras do Parque é vital para a própria sobrevivência deste, estando seus habitantes cada vez mais imbuídos de lutar por novas demarcações.


Foto: Aristóteles B. Neto, 2001


Foto: Aristóteles B. Neto, 2001

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a aldeia decidiu evitar ao máximo o contato com os brancos e se isolar desde que teve conhecimento, há três meses, dos relatos de que o vírus havia chegado ao Brasil. Em consequência, disso a venda de cerâmica - o maior sustento das aldeias - tem diminuído pela dificuldade de acesso a aldeia sem expô-los aos riscos da contaminação. Isso faz com que os mesmos tenham que buscar outros meios para manter o sustento da aldeia. A tribo está sem acesso a combustível e alimentos industrializados.


“Lá na aldeia, a gente faz pescaria, roçada, comendo todo dia e pescando. Nossa vivência é principalmente da tapioca e do peixe. Às vezes tomamos café e leite, quando (esses itens) vêm da cidade. Mas já acabou toda a comida do branco. Por isso eles estão revoltados; querem comprar arroz e feijão”, conta Kaji, sobre a situação de seu povo.


Você encontra as cerâmicas e demais peças artesanais da tribo Waujá em nosso site souy.eco, clicando aqui.


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Até logo!


Fonte: Povos Indígenas Brasil, e+






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